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(RESENHA HISTÓRICA)
Orago: S. Sebastião População: 312 habitantes (I.N.E. 1991) Actividades económicas: Agricultura Festas e romarias: S. Sebastião (17 de Abril) e Nossa Senhora Património cultural e edificado: Capela Românica de S. Pedro de Varais, Igreja de S. Sebastião, Ermida de Santo Ildefonso, cruzeiros do Senhor dos Desamparados e de Santo Ildefonso Outros locais de interesse turístico: Dólmen do Santo de Vile Colectividades: Associação Social CuItural e Desportiva de Vile
A freguesia de Vile distando cerca de 12 km da sede do concelho de Caminha, estende-se por um território de 315 ha. entre a margem direita do rio Âncora e o monte de São Pedro de Varais, monte este que faz parte do monte de Santo Antão nas faldas da Serra d’Arga. Vile que se encontra sensivelmente na parte final do Vale do Âncora, não chega, directamente, por escassos metros, a partilhar o rio Âncora, mas, as suas terras férteis, tem razão de ser devido aos benefícios auferidos da sua zona ribeirinha que se estende por grande parte da freguesia.
Os limites de Vile estão estabelecidos pelas freguesias vizinhas, da seguinte forma: Azevedo a Norte, Âncora a Sul, Riba de Âncora a Nascente e Vila Praia de Âncora a Poente.
Comprovadamente a ocupação de Vile vem de épocas muito remotas, pré-históricas, conforme o atesta a mamoa do Santo de Vile e outros vestígios que se relacionam com este espólio. O grande arqueólogo Francisco Martins Sarmento, no artigo «Materiais para a arqueologia do Distrito de Viana», publicado no Jornal O Pero Galego, de Viana do Castelo, em Abril de 1882, diz o seguinte sobre a Anta do Pinhal do Santo de Vile:
« O pinhal onde se encontra a anta, estende-se pelo delicioso vale, a que o rio Âncora dá o nome, e não dista mais que um tiro de bala do pinhal da Barrosa, que lhe está fronteiro, à vista.
Na orla do pinhal há uma fábrica de telha, e, segundo as informações do seu proprietário, a anta é conhecida por « Cova dos mouros ».
Uma outra notícia, sofrivelmente confusa, é verdade, queria que na anta tivesse aparecido um santo, que em tempos que já lá vão sucesso que daria origem à denominação, que hoje tem o pinhal.
O monumento está muito arruinado. Ninguém se lembra de o ter visto com a respectiva mesa; mas existe, existia pelo menos há dois anos, o indivíduo que tinha aproveitado parte dos seus suportes para um lagar.
A anta de Vile conserva ainda uma das pedras traseiras, um suporte inteiro e outro traçado pelo meio; mas, apesar de estar tão consideravelmente mutilado, nenhuma dúvida pode haver de que é monumento do mesmo tipo, que a « A Lapa dos Mouros », suposto que de mais pequenas dimensões.
Em compensação, a mamoa de Vile pode dizer-se perfeita, e mostra à última evidência que cobria toda a anta. Hoje ainda a sua altura orça por três bons metros, e atinge quase a extremidade do suporte, que ainda se conserva inteiro e no seu primitivo lugar.
A anta de Vile teve com toda a certeza uma galeria, de que actualmente não existe uma só pedra. A sua orientação era a mesma que a da anta da Barrosa.
Contra a minha expectativa, a exploração deste terreno volvido e revolvido produziu uma ponta de seta de quartzo branco, outra de sílex escuro de uma delicadeza extrema, e uma machadinha inteira, de matéria pouco diferente da encontrada na « Lapa dos Mouros ».
Um pedaço de xisto, mostrando visivelmente ter servido de polidor ou afiador, pertence de certo à mesma época destes instrumentos de pedra: não é a primeira vez que os tenho encontrado juntos.
Dentro da « Cova » há grande quantidade de fragmentos de telha moderna, que para ali foram despejados com toda a probabilidade da telheira próxima; mas entre eles aparecem outros muito mais antigos e fazendo lembrar os que tenho visto nos altos dos montes, onde existiu alguma velha capela, de que hoje nem alicerces existem. Esta particularidade trouxe-me à memória a problemática tradição do Santo de Vile, não sendo impossível que a anta, já sem mesa e coberta por um telhado, tivesse servido em tempos antigos de nicho a qualquer santo.
Entre nós, que eu saiba, o caso seria novo; não assim no estrangeiro; e o certo é que o nome de « pinhal do Santo de Vile » tem por força uma origem lendária, e que não há por ali outra legenda, a não ser a que se localiza na anta. »
Verifica-se, portanto que Vile tem comprovada a sua antiguidade, apesar disso, as Inquirições de 1258 não se lhe referem. Referem-se sim a São Pedro de Varais. Fazia então parte, com Azevedo, do território da paróquia de S. Pedro de Varais. A independência e constituição como freguesia deverá ter ocorrido pelo ano de 1640.
A Capela Românica de S. Pedro de Varais insere esta freguesia no contexto da formação da nacionalidade. Nessa época, pequenas ermidas e capelas faziam a defesa e protecção das populações assustadas e dizimadas pela guerra da Reconquista Cristã.
De acordo com o INE, em 1991, o universo populacional de Vile era constituído por 312 moradores, tendo sido a taxa de variação populacional da freguesia, em relação a 1981, calculada em 21,9%. A Junta de Freguesia em 1999 indica, por sua vez, que o número de residentes era aproximadamente de 380 habitantes. o que denota uma quase estagnação do crescimento populacional de Vile.
As acessibilidades constituem um factor de desenvolvimento local de inegável relevância. Neste âmbito, Vile é servida pelas EN 13 e EN 305, por carreiras de transportes públicos regulares e diárias, e por uma praça de táxis. No caso do ramal do I.C. 1 vir a ser construído, poderá trazer maior facilidade de mobilidade às populações, mas o impacto na Natureza e neste rico Vale do Âncora concerteza será negativo. Ao nível do transporte ferroviário, a freguesia dispõe, a menos de 3 km de distância, de um apeadeiro.
A autarquia declara que, actualmente, a rede pública de distribuição domiciliária de água, serve a totalidade da população de Vile, sendo o abastecimento suficiente durante todo o ano. Vile não dispõe ainda de rede pública de saneamento. As águas residuais são tratadas por meio de fossa séptica. O sistema de recolha de lixo, por sua vez, abrange na íntegra a freguesia e realiza-se duas vezes por semana.
O sistema educativo que serve a população resume-se a uma escola do ensino básico do 1.º ciclo. Alunos do 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário frequentam as escolas sediadas em Vila Praia de Âncora, a cerca de 2 km de distância. De igual modo, os estabelecimentos adequados à prestação de assistência e cuidados médicos mais próximos, aos quais a população recorre em caso de necessidade, encontram-se na vizinha freguesia já referida. A rede de acção social é, por outro lado, inexistente.
A população de Vile tem ao seu dispor, ao nível do equipamento colectivo, um campo de jogos, centro cultural, sala de espectáculos, salão de festas e escola de música e outras artes. A Associação Cultural e Desportiva de Vile é a única representante do movimento associativista, fundamental à dinamização sociocultural da freguesia, e tem levado a cabo as principais actividades desta esfera.
Dos principais pólos de atracção turística, tem-se a Capela românica de São Pedro de Varais, o Dólmen do Santo de Vile, a Igreja de S. Sebastião, a Ermida de S. Ildefonso e os cruzeiros do Sr. dos Desamparados e de S. Ildefonso. As vistas panorâmicas do Monte de São Pedro de Varais, a ruralidade marcante da freguesia são outras referências a não serem negligenciadas.
De clima agradável, próxima da praia e com um ambiente rural influenciado pelo ar da montanha, Vile, vem sendo procurada para fixação de residência ou local de segunda habitação.
( Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Caminha e seu Concelho, Inventário Colectivo dos Arquivos Paroquiais vol. II Norte Arquivos Nacionais/Torre do Tombo e Freguesias Autarcas do Século XXI )



